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Jorge Luis Borges apresentou um mundo inteiro à própria literatura

Jorge Luis Borges apresentou um mundo à própria literatura. O argentino contemplou-a com um registo que deambula entre a filosofia e a fantasia, não esquecendo o lirismo poético, e o rigor ensaísta académico. A sua grande peculiaridade mora nas diferentes relações estabelecidas entre os constituintes da sua extensa obra, navegando por um realismo mágico, que desafia os então proeminentes realismo e naturalismo. O períplo de lugares que conheceu e onde viveu contribuiu para ampliar o imaginário e o espectro de ideias e de impressões condensado por este professor de profissão, que foi cada vez mais estimulado consoante perdia a visão. Borges foi, desta feita, uma das figuras que partiu na linha da frente da promoção da literatura sul-americana, que se relançou nas lides fantásticas mas socialmente pertinentes ao lado do seu compatriota Julio Cortázar, e do colombiano Gabriel García-Márquez.
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo nasceu no dia 24 de agosto de 1899 em Buenos Aires, no…
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Canção Universal – por Wagner Schadeck

Na antiguidade, acreditava-se que a música tinha poder medicinal sobre a alma. Críticos como Carpeaux e Auerbach ouviam o canto gregoriano no cantar dos anjos no Paraíso da Divina Comédia de Dante Alighieri. No Werther de Goethe, o enamoramento do protagonista se dá pela música. Beethoven, ao visitar uma Baronesa, amiga sua que havia perdido o filho, vitimado pelas guerras napoleônicas, fora comedido em palavras e gestos, mas sentara ao piano e tocava até consolar a alma aflita daquela mãe... Arte da palavra, a poesia também está próxima dessa arte espiritual. Em Auto da Romaria, João Filho nos impressiona pelo fôlego e pela música. Ao contrário de boa parte da anemia poética que tem assolado nossa poesia, nesta obra o poeta baiano apresenta uma das mais profícuas líricas da nova geração. Como uma peça musical, o livro está dividido em partes que poderiam bem se chamar movimentos: Margem direita, São Francisco, O monge e o monsenhor, Margem esquerda. Dentro da poética de João Filho o te…

Marcelo Brum-Lemos estreia no cenário literário com obra “caótica”

Professor, músico e escritor, Marcelo Brum-Lemos é uma das figuras mais interessantes do cenário moderno artístico de Curitiba. Marcelo lançou no ano passado Galhos de árvores movendo os dedos, um livro que, segundo o autor, foi montado ao longos dos anos, quando, enfim, o autor resolveu publicá-lo, até como uma forma de “parar de mexer neles”. Nessa de se livrar dos contos, microcontos e dos poemas - esses entre cômicos e dramáticos - o autor revelou-se ao “mundo editorial” com forte veia vanguardista e, por vezes, kafkiano. Brum-Lemos nos contou, durante uma entrevista de quase uma hora, suas principais motivações como professor, seus interesses profissionais e pessoais na música e revelou “Quero ser lembrado como músico e escritor”. Confira a entrevista exclusiva dada ao blog Recorte Lírico no “Recorte Entrevista”:

Recorte Lírico: Falando sobre sua formação acadêmica: Como ingressou na área de Letras, mais especificamente no campo literário? 

Brum-Lemos: Eu estava no Curso de Arquit…

O sucesso das (auto)biografias

De uns tempos pra cá, a sétima arte tem privilegiado as histórias reais (de celebridades e de desconhecidos notáveis), alavancando o mercado de biografias. O motivo disso é bem simples, afinal o interesse do público pela vida alheia é cada vez maior. No final do século XX, a revista Veja, de 26/07/95, assinalava a ascensão do gênero, “que só perdia para as publicações de ‘auto-ajuda’ – tanto que entre julho de 1994 e julho de 1995 haviam sido lançadas 181 biografias, o que significa uma a cada dois dias, e quatro a cada semana” (SILVA, 2009, p. 153). Já no século XXI, o jornal Correio do Povo de 19/12/04 reiterava: “As biografias ainda são grande destaque entre as preferências dos leitores e boa atração das editoras” (CORREIO DO POVO, 2004, p. 20). Mais de dez anos depois, as biografias continuam a fazer sucesso. No início de 2015, Sergio Almeida analisou o mercado editorial português e constatou o “‘voyeurismo’ crescente da sociedade” (ALMEIDA, 2016), anunciando, já no mês de janeiro …