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Ana Cristina César é homenageada na Flip

Foto: Reprodução

Poesia, prosa, prosa poética, pensamentos aleatórios...? Como decifrar a estética literária de Ana Cristina César? Quando tive o primeiro contato com a poetisa, eu ainda estava no ensino médio e não tinha a mínima ideia de como caracterizar a forma de uma obra tão densa quanto à da carioquíssima Ana C. Hoje, estudando letras de forma mais específica, ainda não compreendo a dimensão dessa autora para toda uma geração fanática por artes. A Geração Mimeógrafo foi um movimento ocorrido na década de 1970, ao qual Ana participou, escrevendo uma poesia extremamente “marginal” só encerrada por um suicídio em 1983. Ana Cristina César é tão intensa e inesquecível que foi “alvo” de muitas homenagens do Flip – Festa Literária de Paraty – deste ano. A morte precoce da autora, que só deixou um livro publicado em vida, foi constantemente retratada no início do festival literário, que traz alguns dos seus contemporâneos à mesa.

Um dos maiores envolvidos na homenagem, o poeta Armando Freitas Filho, expressou alguma circunspecção: no prefácio a “Escritos no Rio” (1993), Ana C. é “poeta importante de sua geração”, não a expoente ou a maior, mas “uma promessa que se cumpriu suficientemente. Além de exaltar todo o brilhantismo de um dos maiores nomes da poesia brasileira do século XX, o evento ainda revela uma gravação inédita de uma conferência que ela deu seis meses antes de morrer, em 1983, para uma turma do curso de Literatura de mulheres do Brasil, contando sobre o processo de criação do seu livro, autores que serviram como referência e de literatura em geral. 

Fico feliz em saber que um nome tão importante para a poesia brasileira e para a minha formação literária está recebendo as devidas homenagens. Agora é esperar as instituições de ensino acordar e incrementar conteúdos mais ricos e nacionais como o de Ana Cristina César.   


Cássio Miranda é estudante de Letras e escritor nas horas ociosas. 

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