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Mostrando postagens de Novembro, 2016

A queda dos nossos sonhos

Na literatura, por diversas vezes, sonhos são interrompidos. Apesar de toda aparente satisfação, Brás Cubas, do Machado de Assis, morreu frustrado por não ter conseguido se casar, ter filhos, sucesso nos empreendimentos, dentre outros fracassos. Lúcia, do romance Lucíola de Alencar, por sua vez, morre grávida, por não se achar digna de gerar um filho, em meio à luta para cuidar dos seus familiares. Enfim, inúmeros personagens tiveram, por algum motivo, suas histórias descontinuadas, às vezes abruptamente, sem poder realizar os sonhos que, quase sempre, são desejados pela grande maioria das pessoas.

E mais uma vez a vida imita a arte! O acidente com o avião LaMia 2933, que transportava o time da Chapecoense, sua comissão técnica, dezenas de jornalistas e outros tripulantes, não foi só uma trágica queda e o falecimento de corpos: Foi a morte de milhões de histórias e sonhos que nunca se realizarão. Junto com aquela aeronave morreu todo um país, a Colômbia também, e o mundo se comoveu co…

Eneacampeão: O título dos torcedores alviverdes

Era 19 de dezembro de 1993, como bom baiano que sou, estava na frente da TV assistindo o clube que, mais tarde, ou talvez naquele exato momento, tornava-se o amor da minha vida... assistindo o Palmeiras! Era impensável acreditar que uma criança,com pouco menos de três anos, poderia transcender toda a pressão da torcida rival, sim, na sala, a minha família, apesar de torcer para o Bahia, vibrava a favor do Vitória – o que hoje me espanta – mas a justificativa da época era que o título seria do estado, entretanto com todos os empecilhos, o destino traçou-me uma missão na vida: Eu deveria ser palmeirense! O Edmundo, que naquela final marcou, na minha cabeça infantil, era o meu pai, e eu vibrava e gritava “vai papai” a cada toque na bola que o craque dava, como se a ausência do meu pai, naquele momento, fosse substituída pelos dribles produzidos no gramado do Morumbi. Tudo foi lindo, e verde. O título veio, a seca da conquista nacional também, assim como meses antes no Paulistão. Agora, o…

João Chiodini, autor de Os Abraços Perdidos, fala sobre os temas do seu romance e dá dicas para novos escritores.

O bate-papo desse Recorte Entrevista foi com João Chiodini, autor de "Os Abraços Perdidos", pela Editora da Casa.
RL – Você escreveu um livro em 2005 que não chegou a ser publicado. Quanto evoluiu linguisticamente e em termos dos temas propostos?
Chiodini – Sim, em 2005 escrevi um primeiro romance. Ele não foi publicado por ser um livro muito frágil, com muitas falhas de estrutura, personagens e narrativa. Eu tinha uma grande quantidade de personagens e diversos conflitos que, na época, eu não soube lidar muito bem. Porém, me serviu de aprendizado. Na escrita de Os Abraços Perdidos, antes de ter a história em si, eu sabia que elementos eu queria utilizar e quais erros eu não poderia repetir (se for para ter erros, que sejam novos. Risos...). E falo isso com relação a tudo: tema, personagens... Em Os Abraços Perdidos, houve um grande cuidado em deixar a narrativa bem seca, sempre. Cuidar para não haver rodeios enquanto Pedro relatava sua história e trabalhar os fatos sempre e…

E O NOBEL DO RAUL?

Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs*
Nos últimos dias, pela surpresa causada pelo anúncio do Nobel de Literatura deste ano, a pergunta que recebo é sempre a mesma: e o Bob Dylan? Primeiro, a pergunta veio de um aluno de Letras. Eu tinha sabido da notícia um dia antes. Lembro que fiquei meio atônita, quando ouvi no rádio, mas de um dia para outro mal tive tempo de pensar a respeito. Mesmo assim, quando respondi a essa primeira pergunta, mencionei que entre Dylan e Lou Reed prefiro o segundo. Entretanto, falei também sobre os efeitos da globalização, que talvez expliquem um pouco essa intersecção entre música e literatura. Uma semana depois, recebi nova pergunta, dessa vez de minha mãe. Então, fui levada a pensar ainda mais sobre o fato e, na ocasião, comentamos a possível ira de muitos escritores (e há muitos dignos do Nobel), ao saberem que foram desbancados pelo músico. Tá, trata-se do mestre do folk rock (é verdade), mas, ainda assim, músico. Mais uma semana se passou e o assunto continu…

Paulo Coelho e a polêmica sobre o sucesso

Parece existir um senso comum de que qualidade da produção literária deve estar necessariamente desvinculada de grande sucesso. Aquele sentimento existente de artista marginal que se sobrepõe às próprias mazelas e produz obra excepcional. Mas, mais do que isso, se recusa a colher os louros do próprio trabalho e aceitar o sucesso. Talvez essa seja uma das possíveis explicações do preconceito existente contra o autor do livro brasileiro mais vendido e que está no Guinness Book como o autor mais traduzido no mundo, o escritor Paulo Coelho.
Nascido em 1947 no Rio de Janeiro, Paulo Coelho foi diretor e autor de teatro antes de se dedicar à literatura. Porém, a atividade pré-literária que o tornou famoso foi a parceria com o cantor e compositor Raul Seixas (1945-1989), um dos ícones da contracultura brasileira. Sucessos como “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita” e “Al Capone” se originaram desta parceria. Também escreveu letras para outros expoentes da música brasileira como Elis Regina e…

Machado de Assis é identificado em foto histórica sobre abolição

O escritor Machado de Assis foi identificado em uma fotografia sobre o registro de uma missa campal realizada para celebrar a abolição da escravatura no Brasil pela princesa Isabel, em 17 de maio de 1888, no campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A foto foi ampliada quinze vezes e só então revelou a presença do escritor.
De autoria de Antônio Luiz Ferreira, a foto contraria a tese de que o escritor se manteve à margem do movimento abolicionista. A imagem integra a Coleção Brasiliana Fotográfica, gerida pela Biblioteca Nacional com o apoio do Instituto Moreira Salles.
Na foto, Machado de Assis está próximo ao casal real: Princesa Isabel e Conde d’Eu, juntamente com José do Patrocínio. A missa teria reunido cerca de trinta mil pessoas. Estão presente negros recém libertos, jornalistas, intelectuais e representantes do império e da igreja. Sabe-se que o escritor Lima Barreto, então com sete anos de idade, também esteve presente.
A autenticidade da presença do escritor está sendo reconhe…

[RESENHA] Ficções, de Jorge Luis Borges

Qualquer elogio, por mais superlativo, é pouco para falar de Ficções, coleção de contos do brilhante escritor argentino Jorge Luis Borges. Publicado pela primeira vez em 1944, o livro mudou os rumos da literatura mundial e já era pós-moderno antes de o termo ser cunhado, parecendo reunir toda a sabedoria humana em suas 176 páginas. Mas até mesmo dizer isso é insuficiente, pois essa obra contém também pitadas de sabedoria sobrenatural e extraterrena. 
Os 16 contos de Ficções são divididos em duas partes: O jardim de veredas que se bifurcam e Artifícios. O primeiro deles é Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, em que o próprio Borges, numa das diversas instâncias em que se coloca como personagem, encontra uma enciclopédia sobre um planeta fictício, que tem sua própria língua (sem substantivos) e peculiar maneira de pensar o universo. O conto contém a frase sensacional: “Os espelhos e a cópula são abomináveis, porque multiplicam o número de homens.” Mas criar um mundo inteiro, para Borges, é só o c…

Em 1946 Hermann Hesse era indicado ao Nobel de Literatura

O escritor Hermann Hesse, alemão naturalizado suíço, foi nomeado para o Prêmio Nobel de Literatura no dia 14 de novembro de 1946. "O Lobo da Estepe" e "Sidarta" são duas de suas obras mais conhecidas.Hermann Hesse nasceu no dia 2 de julho de 1877, em Calw, na Floresta Negra, como segundo filho de Johannes e Marie Hesse, esta de origem suíça. Depois do curso primário, ele começou a estudar Teologia no mosteiro luterano de Maulbronn, que abandonou alguns meses depois.

Criado no seio de uma família religiosa, Hesse leu Nietzsche, Dostoievski e Spengler. Após uma curta passagem pela fábrica de relógios Perrot, em sua cidade natal, iniciou a formação como livreiro em Tübingen e em Basileia, quando também publicou suas primeiras poesias.

Em 1904, ano do seu primeiro grande sucesso, Peter Camenzind, casou-se com Maria Bernoulli e fixou residência em Gaienhofen. Seus três filhos nasceram nessa região rural, perto do Lago de Constança. A vida pacata do interior inspirou-o a b…

Lima Barreto será o escritor homenageado na Flip 2017

A Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) vai homenagear na sua edição de 2017 o escritor Lima Barreto. OJornal do Brasilnoticiou com exclusividade na manhã desta sexta-feira (11) a homenagem ao escritor e a página da Flip no Facebook confirmou a informação nesta tarde.
"A edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor. Foram necessárias várias gerações para que se consolidasse o nome do criador de uma das obras mais plurais e inovadoras da literatura brasileira, que permite tanto o apreço do leitor quanto reflexões nos campos da literatura, da história e das ciências sociais", informou a organização da Flip, cuja 15ª edição acontece entre os dias 26 e 30 de julho.


Uma das maiores entusiastas do autor …

Leonard Cohen e a permanência da perda

Well I stepped into an avalanche, it covered up my soul. Leonard Cohen, “Avalanche”.
Through centuries he lived in poverty. God only was his only elegance. Wallace Stevens, “The Good Man Has No Shape”[1].
1.
Dizem que foi um dos momentos mais impressionantes da história da música popular norte-americana. Em 1970, na Isle de Wight, costa sul da Inglaterra, um povoado pacato repleto de iates e de aposentados da marinha britânica, um mar de seiscentas mil pessoas esperavam pela atração que se seguiria à performance explosiva de Jimi Hendrix. Era a terceira edição do festival de rock que até então atraía cerca de cento e cinqüenta a duzentos mil participantes – o auge foi em 1968, quando Bob Dylan voltou a se apresentar após o famoso acidente de motocicleta. Talvez em homenagem a Dylan, alguém resolveu chamar o lugar onde aquelas seiscentas mil pessoas esperavam pela próxima atração de “Desolation Row” – a travessa da desolação –, uma referência à faixa sombria que termina o clássico álbum Highw…