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A queda dos nossos sonhos

Na literatura, por diversas vezes, sonhos são interrompidos. Apesar de toda aparente satisfação, Brás Cubas, do Machado de Assis, morreu frustrado por não ter conseguido se casar, ter filhos, sucesso nos empreendimentos, dentre outros fracassos. Lúcia, do romance Lucíola de Alencar, por sua vez, morre grávida, por não se achar digna de gerar um filho, em meio à luta para cuidar dos seus familiares. Enfim, inúmeros personagens tiveram, por algum motivo, suas histórias descontinuadas, às vezes abruptamente, sem poder realizar os sonhos que, quase sempre, são desejados pela grande maioria das pessoas.

Goleiro Danilo, que chegou a ser resgatado, mas faleceu no hospital, deixa filho pequeno. (Foto: Reprodução/Twitter)

E mais uma vez a vida imita a arte! O acidente com o avião LaMia 2933, que transportava o time da Chapecoense, sua comissão técnica, dezenas de jornalistas e outros tripulantes, não foi só uma trágica queda e o falecimento de corpos: Foi a morte de milhões de histórias e sonhos que nunca se realizarão. Junto com aquela aeronave morreu todo um país, a Colômbia também, e o mundo se comoveu com isso. Na colisão com a terra, deixaram-nos centenas de familiares, que carecerão de necessidades financeiras, que permanecerão viúvas, que não crescerão com os seus país. Deixaram-nos craques, comunicadores, um time de guerreiros, trabalhadores, homens, e suas mulheres e filhos, que não mais sonharão os sonhos dos vossos heróis.

Assim como nas narrativas literárias, nem sempre o final é feliz, as lágrimas de alegria, os enredos de amor.... Por vezes o narrador nos prega algumas peças nefastas, nos deixa feridas abertas, sem continuação na história....


Por Cássio Miranda, editor do Blog Recorte Lírico.

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