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Belchior, um eterno rapaz latino-americano

Este texto, como não poderia ser de outra forma, é de dor, de lágrimas. Belchior teve morte confirmada neste domingo, 30, a causa da morte não foi divulgada, é enigmática, como também não mudaria, visto que o cantor teve uma carreira repleta de mistérios, especialmente nos últimos 8, 9 anos, quando se afastou da mídia, com estadias entre o sul do Brasil e o Uruguai.
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(Foto: Reprodução)
Como qualquer outro filho de mãe solteira, depositei minha confiança paterna em meu avô, e foi com ele que aprendi boa parte das coisas da vida, inclusive as artísticas. Foi na vitrola antiga do “Seu Raimundo” que ouvi, pela primeira vez, os acordes de violão do Belchior, e foi incrível pois, enfim, eu descobrira a potência da música nordestina.
De lá para cá, nunca mais parei de ouvir o meu compositor favorito, entre súplicas aos céus pedindo para que o gênio “voltasse”, até ter a ingrata notícia que ele apareceu, mas para partir à eternidade.
O eterno “rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior” deixa-nos um legado gigantesco, entre parcerias incríveis com Fagner e Elis Regina, com composições como “Todo sujo de batom”, a minha favorita, e com a obra-prima “Alucinação”.
O músico e poeta mais enigmático do Brasil morreu, mas aqui, comigo e com outros milhões de fãs Brasil afora, seja nos discos, nos cds ou em quaisquer plataformas musicais soarão as canções inesquecíveis deste ser humano ímpar, de voz mansa, de sotaque puxado, de letras inigualáveis e de legado gigantesco.  
Obrigado Belchior, por suas partidas, por seus retornos, e por sua vida. Obrigado vovô.

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