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Mostrando postagens de Maio, 2017

Felipe Neto diz que criança odeia Machado de Assis; Eu, digo que não.

Recentemente, estava por procurar algo interessante para assistir, deve ter sido em um dos tantos sábados ociosos, quando me deparei com o stand-up, ou qualquer coisa do tipo (parecia mais contação de história), do Felipe Neto. O material é Original Netflix, e eu costumo ver as produções originais, e o Felipe sempre me despertou curiosidade, por seu pioneirismo no YouTube Brasil e por gerar sempre polêmicas em suas apresentações públicas. E eu adoro uma polêmica, admito. O que me surpreendeu foi o fato da polêmica estar relacionada justamente a minha área de interesse, o que foi também uma delícia, porque isso acaba gerando texto aqui no blog. Vamos lá, no decorrer do seu texto, em meio aos gritos histéricos de suas fãs e dos incontáveis palavrões deferidos pelo artista, o que é do jogo, o Felipe Neto soltou a seguinte pérola:
“(...) A gente chega para as nossas crianças de 12, 13, 14 anos, e a escola obriga elas a lerem Dom Casmurro, Iracema, Senhora, pra uma criança, aí depois as pess…

O desconforto em falar de suicídio

É engraçado. Eu não queria — mesmo — falar sobre 13 Reasons Why. Na realidade, eu não queria nem mesmo ver. A ideia de assistir um seriado sobre as treze razões de uma garota adolescente ter se matado parecia realmente mórbido para mim. Contextualizando, eu tinha acabado de me reerguer de uma situação complicada — vou ser sincera, ainda estava me reerguendo — e não queria que algo assim me levasse para o poço de novo.


Mas então eu ouvi sobre a série na faculdade. E você sabe sobre aquela história do gato e da curiosidade. Eu pensei então — tudo bem, eu posso assistir isso. E pelos primeiros seis episódios eu acreditei que podia. Mas eu parei de ver — disse para mim que estava ficando chato — porque raios o Clay não escuta todas as fitas de uma vez?

Foi então que eu li a crítica sobre a série, escrita por Murilo Basso na Gazeta do Povo. “Treze motivos para não ver13 Reasons Why”. De todos, um em particular me fez querer terminar a série: “Alguns motivos catalisadores para Hannah se mata…

Como esconder o clichê na hora de escrever

Quem gosta de escrever (profissionalmente ou não), já deve ter parado em algum momento do processo de escrita de um romance e pensado "será que isso é clichê?". Algumas pessoas se perguntam, porque realmente querem seguir o clichê, mas outras querem evitá-lo. Como leitora (e escritora), não apoio nem um, nem outro, mas acredito que pode-se usar a técnica da escrita para esconder possíveis clichês e não vomitá-los na cara dos leitores. Como muitas pessoas dizem: "tudo o que é feito escondido, é muito melhor".
Eu participo de um grupo no Facebook chamado "Sociedade Secreta dos Escritores Vivos" (link do grupo) e, certa vez, me deparei com essa imagem que haviam postado lá:
Se formos parar para pensar, de fato, já lemos muitos livros que seguem quase a mesma ideia proposta. Primeiro, criamos empatia com o protagonista, depois surge alguma aventura, o protagonista quer desistir, mas persiste. Em seguida, você fica angustiado pela dificuldade do protagonista …

Antonio Candido: Fragmentos de uma releitura

No dia 12 de maio deste ano, foi divulgada a notícia da morte do crítico Antonio Candido, que estava prestes a completar 99 anos de idade. Arrisco dizer que o último grande evento literário de que Candido participou foi a Flip de 2011, comprovando sua intensa atividade. Com uma produção incessante (considerando livros, artigos, capítulos, e textos para jornais), o escritor nos deu centenas de obras fundamentais para a literatura, acompanhando a história e aplicando a teoria. Inclusive, muito em breve, o autor nos brindará com o lançamento póstumo de um texto inédito, que ele dedicou ao colega e ex-aluno Alfredo Bosi. Quando ouvi a notícia da morte de Antonio Candido, lembrei que, apenas dois dias antes, eu tinha relido dois textos dele, os quais considero essenciais: “A literatura e a formação do homem” e “O direito à literatura”. O crítico e todos os textos dele são presença constante em minhas aulas e em meus artigos. Talvez, essa predominância seja uma questão de afinidade, crença, …

Um olhar do paraíso é um olhar humanístico

Há um tempo, mais precisamente no fim do ano passado, minha esposa e eu resolvemos assistir um filme que, inicialmente, eu resisti e muito em vê-lo. Ainda bem que eu acabei aceitando. Trata-se do filme “Um olhar do paraíso”, dirigido pelo ótimo Peter Jackson - o mesmo de “The Hobbit” -, estrelado por Saoirse Ronan, Rachel Weisz e Mark Wahlberg, um elenco experiente, embora jovem. A narrativa nos traz elementos atuais, mas pouco falados, principalmente pelas artes. Susie Salmon é uma menina feliz, que ama fotografias e é apaixonada por um garoto na escola. Mantém uma vida simples e comum como todas as outras garotas da sua faixa etária. Aos 14 anos, ao voltar para casa, é abordada por um vizinho um tanto quanto silencioso no convívio público, que a seduz para uma espécie de casa de brinquedos em uma instalação no subsolo que ele mesmo fabrica em meio à plantação. Mal intencionado, o criminoso se recusa a liberá-la e interrompe sua vida de forma covarde e cruel. Um crime estarrecedor, c…

Jorge Luis Borges apresentou um mundo inteiro à própria literatura

Jorge Luis Borges apresentou um mundo à própria literatura. O argentino contemplou-a com um registo que deambula entre a filosofia e a fantasia, não esquecendo o lirismo poético, e o rigor ensaísta académico. A sua grande peculiaridade mora nas diferentes relações estabelecidas entre os constituintes da sua extensa obra, navegando por um realismo mágico, que desafia os então proeminentes realismo e naturalismo. O períplo de lugares que conheceu e onde viveu contribuiu para ampliar o imaginário e o espectro de ideias e de impressões condensado por este professor de profissão, que foi cada vez mais estimulado consoante perdia a visão. Borges foi, desta feita, uma das figuras que partiu na linha da frente da promoção da literatura sul-americana, que se relançou nas lides fantásticas mas socialmente pertinentes ao lado do seu compatriota Julio Cortázar, e do colombiano Gabriel García-Márquez.
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo nasceu no dia 24 de agosto de 1899 em Buenos Aires, no…